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2026-09-21 13:27:14 UTC
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Otavio on Nostr: Entendo o motivo da sua colocação! Essa forma de orar pode realmente dar a ...

Entendo o motivo da sua colocação! Essa forma de orar pode realmente dar a impressão de uma intimidade excessiva, quase como se o crente estivesse tratando Deus como um "igual" ou um companheiro de mesa. No entanto, do ponto de vista exegetico e teológico, a estrutura da Oração do Senhor estabelece exatamente o oposto de um tratamento "de confrade".
​Quando analisamos o texto no grego e no comentário do teólogo William Hendriksen, fica claro a questão desses pronomes:

A oração começa com "Pai nosso", o que estabelece uma relação de filho para pai, não de colegas de igual para igual. Mas, logo em seguida, Jesus acrescenta "que estás nos céus". Isso marca a distância infinita entre o Criador soberano e a criatura.

​As três primeiras petições ("Santificado seja o teu nome", "Venha o teu reino", "Seja feita a tua vontade") colocam os interesses de Deus no topo. No grego original, os verbos estão no imperativo aoristo passivo: um pedido fervoroso para que a Santidade de Deus se imponha, e não uma exigência informal.

​Além disso, quando o crente pede o "pão nosso de cada dia" (no grego, o raríssimo epiousios, o pão estritamente necessário para a subsistência de hoje), ele reconhece que depende de Deus até para o prato de comida do dia, enquanto clama por livramento do "Maligno" (tou ponērou).

​Portanto, não se trata de tratar Deus como "confrade". O Cristianismo Bíblico e Reformado enxerga nessa oração o oposto: a postura de um filho fragilizado que se prostra diante do Rei do Universo, reconhecendo que Ele é sumamente transcendente, mas, pela graça, acessível como Pai.

Em relação à tradução, o objetivo é enfatizar que os Reformados e seus sucessores adotaram a tradição do Texto Recebido (Textus Receptus) em vez do Texto Crítico moderno. Embora no mundo anglófono a King James (1611) seja a principal referência dessa tradição, no português brasileiro a Almeida Corrigida Fiel (ACF) é amplamente utilizada justamente por ser fiel à Equivalência Formal no padrão do TR, sendo uma das melhores traduções literais em nossa língua.

​A equivalência formal prioriza a fidelidade à estrutura do texto original, preservando a sintaxe, a ordem gramatical e o vocabulário do idioma de origem sempre que possível. O problema de muitas Bíblias modernas baseadas no Texto Crítico é que elas costumam adotar a equivalência dinâmica, adaptando excessivamente os termos e diluindo a estrutura gramatical do grego, o que gera ruídos de interpretação como o que você apontou.

​Para fins de análise gramatical pura do Textus Receptus, a LTT (Bíblia Literal do Texto Tradicional) leva essa equivalência ao nível máximo. Ela traduz exatamente a estrutura do grego Koiné (usando itálico em letras maiúsculas para indicar o que precisou ser inserido pelo português para fazer sentido), mostrando com precisão cirúrgica como o texto se apresenta nos manuscritos recebidos.

​Veja como ela expõe a sintaxe exata de Mt 6:9-13:

​'Assim, pois, orai vós semelhantemente a isto: Ó Pai nosso, Que nos céuS estás, santificado seja o Teu nome; Venha o Teu reinar; seja feita a Tua vontade: conforme [ela é feita] dentro do céU, assim também [seja ela feita] sobre a terra; O pão nosso, o necessário-de-cada dia, nos dá hoje; E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também estamos perdoando aos nossos devedores; E não nos conduzas para dentro de prova, mas livra-nos para longe do mal; porque Teu é o reinar, e o poder, e a glória, para todos os séculos. Amém.'"