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2026-09-16 06:58:46 UTC

Otavio on Nostr: Assisti ontem a O Silêncio dos Inocentes (1991). O filme mostra da forma mais ...

Assisti ontem a O Silêncio dos Inocentes (1991). O filme mostra da forma mais didática possível que uma mulher jamais deve ajudar um homem na rua (principalmente se um desconhecido pedir ajuda para uma mulher sozinha no meio da noite) — isso simplesmente não existe.

​[Este texto contém possíveis spoilers de um filme de 1991. Se você ainda não assistiu, esteja avisado e não venha encher meu saco depois].

​Outra questão muito importante: há uma tendência muito comum de masculinizar as mulheres hoje em dia. Esse pensamento de que "lugar de mulher é onde ela quiser", na prática, não se mostra tão favorável às mulheres. Porque desconsidera justamente a diferença entre homens e mulheres, tanto na forma de pensar quanto na de agir.

​Além disso, creio que exista sim trabalho de homem e trabalho de mulher. A maioria das mulheres que eu conheço é enfermeira ou fisioterapeuta. Enquanto muitos amigos meus trabalham com TI ou são militares. E o filme mostra do começo ao fim que ser uma agente do FBI é extremamente perigoso para a protagonista Clarice Starling (Jodie Foster), justamente por ela ser uma jovem mulher.

​Não estou aprovando o comportamento inadequado dos colegas de trabalho dela, dos policiais no necrotério ou dos inúmeros outros personagens masculinos que ficam constantemente chamando-a para sair, tornando a cena constrangedora.

​Estou me referindo a vários momentos no filme em que ela poderia ter ido jogar no Vasco e só não foi por conveniência do roteiro. A trama até sugere que ela, em um treinamento na sede do FBI, poderia ter morrido por uma falha de procedimento ao não se atentar para certo local em que fazia uma abordagem — o que proporcionou ao instrutor surpreendê-la por trás, apontando uma 9mm para a sua nuca e dizendo: "Você está morta, Clarice". Essa cena é importante por causa do final do filme, onde ela está sozinha na casa do vilão e precisa estar muito atenta para não virar estampa de camisa (ela não vira, embora toda a cena gere muita agonia).

​E isso me incomodou um pouco. Porque eu sou meio chato com inconsistências lógicas. Por qual razão uma jovem agente do FBI não assumiu a lateral do Vasco ao enfrentar um assassino psicopata extremamente violento e perturbado da cabeça? Suspensão de descrença é a única resposta, o famoso "esquece isso e só segue o roteiro".

​Outra análise possível é que o chefe dela a usou para que o Dr. Hannibal Lecter se afeiçoasse a ela e contribuísse com o FBI para encontrar o esconderijo do assassino Buffalo Bill.

Essa discussão não é de hoje. O reformador John Knox era abertamente contra mulheres em cargos de autoridade. Sua principal obra, de 1558 — The First Blast of the Trumpet Against the Monstruous Regiment of Women ("O Primeiro Sopro da Trombeta contra o Monstruoso Governo de Mulheres") —, defende justamente que mulheres não deveriam exercer cargos de liderança, nem na Igreja, nem no Governo, muito menos da Família.

Esse filme mostra de forma não forçada o que as mulheres acabam enfrentando quando resolvem seguir uma carreira na qual os homens são a maioria. E também nos lembra de que a realidade é bem simples: quando Trump tomou um tiro de raspão, nenhuma mulher da sua equipe de segurança pulou em cima dele para protegê-lo (depois foram demitidas, hehe). Eu acredito que homens são protetores e mulheres são atenciosas. Por isso, devemos proteger as mulheres e não deixá-las assumir posições de risco. Devemos proteger as mulheres, não colocá-las em perigo.