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2026-08-27 04:47:53 UTC

Otavio on Nostr: AXIOMA E PROVA Quando afirmo que um princípio primeiro deve trazer conteúdo para se ...

AXIOMA E PROVA

Quando afirmo que um princípio primeiro deve trazer conteúdo para se justificar, quero dizer que ele deve fornecer toda a informação necessária ― na metafísica, epistemologia, linguística, ética etc. ―, caso contrário o próprio princípio primeiro não teria informação suficiente para se tornar possível. O conteúdo do nosso princípio primeiro é a Bíblia, e está sistematizado na teologia cristã. Esta representa, por sua vez, o fundamento intelectual a partir do qual pensamos sobre o mundo e interagimos com os incrédulos.

Gordon Clark diz que todo sistema deve partir de um axioma “improvável” ou princípio primeiro. Isso é verdade, mas cuide para não interpretá-lo mal. Por definição, “prova” envolve o raciocínio a uma conclusão a partir de premissas antecedentes. Se existe “prova” para um princípio primeiro, ele não pode ser de fato primeiro, pois seria uma conclusão derivada de premissas antecedentes; chamá-lo de princípio “primeiro” seria autocontraditório. Assim, Clark tem razão neste ponto, mas como muitos não usam essa definição técnica de “prova”, ao saber que um princípio primeiro é “improvável”, tendem a pensar que ele é arbitrário ou que não existe defesa racional para ele. Em vista disso, apesar da falha estar nas pessoas que não compreendem o significado da palavra, procuro não chamar o princípio primeiro cristão de “improvável” para evitar esse mal-entendido. De fato, Clark afirma que podemos defender o princípio primeiro cristão, mas não por aquilo que se chama de prova. Por exemplo, em A Christian View of Men and Things ele mostra como um sistema intelectual abrangente e coerente pode ser deduzido de nosso princípio primeiro; também mostra por que os princípios não cristãos falham. Podemos também demonstrar a natureza autojustificável e inegável de nosso princípio primeiro bíblico e como ele logicamente exclui todos os demais princípios primeiros. Assim, longe de ser arbitrário, nosso ponto de partida é racional e necessário.

(Vincent Cheung — Cativo a Razão)