Otavio on Nostr: Sobre A Odisseia de Christopher Nolan Há um tempo, os progressistas estão ...
Sobre A Odisseia de Christopher Nolan
Há um tempo, os progressistas estão modificando os clássicos no cinema. Mas fazem isso para que esses clássicos reimaginados se tornem palatáveis, ou melhor, inteligíveis, para o público moderno. É justamente o que Christopher Nolan faz com seu novo filme.
Muitos afirmam que o filme é woke por causa do anacronismo nos personagens interpretados por atores de etnias diferentes da dos personagens da obra de Homero.
Entretanto, essa é uma crítica superficial se comparada ao desenvolvimento dos personagens no filme. A Atena de Zendaya é apenas uma alucinação da cabeça de Odisseu. Penélope fica lembrando seu filho, Telêmaco, de que ele é apenas uma criança e que não duraria muito caso assumisse o trono. Circe transforma os soldados de Odisseu em porcos, insinuando que eles são estupr4d0res de mulheres, sendo que os caras foram lá só para almoçar um ensopado de carne e ir embora. Os deuses masculinos não possuem rosto: são representados por um trovão e por um maremoto.
E o Odisseu? O guerreiro astuto de Homero é narrado como um homem que só queria voltar para casa como um guerreiro honrado, cujo objetivo era apenas recuperar o trono de Ítaca. Já o Odisseu de Nolan é traumatizado pela guerra: ressentido pela culpa do que os gregos fizeram em Tróia, amargurado pelos horrores que não pôde evitar e abalado emocionalmente pelos soldados que perdeu na longa viagem de volta para casa.
Uma guerra é caracterizada por dois lados lutando praticamente de igual para igual, e isso me faz questionar: realmente há uma guerra cultural? No último filme do 007, a feminista radical Phoebe Waller-Bridge é uma das roteiristas e simplesmente torna o James Bond de Daniel Craig o mais distante possível do James Bond de Ian Fleming. O personagem mais ligado ao dever, à proteção de seu país e à luta contra ameaças globais, o mais famoso espião da história, que reflete a sociedade britânica do pós-guerra, é transformado em um agente secreto em fim de carreira, disposto a se sacrificar, gerando, assim, mais uma mãe solteira em Londres.
Me pergunto: de qual lado da guerra estão os estúdios? Os maiores estúdios de cinema da atualidade (Warner Bros. Pictures, Paramount Pictures, Walt Disney Pictures, Universal Pictures, Amazon MGM Studios e Sony Pictures) são todos progressistas que produzem filmes com ESG. Todos continuam produzindo obras woke aqui e ali, umas mais explícitas, outras mais sutis.
E onde estão os estúdios de cinema que não fazem parte do jogo? Cadê as grandes produtoras e distribuidoras produzindo blockbusters de viés conservador? Não tem. O que nos resta é a Angel Studios lançando episódios de série no cinema que quebram o 2º mandamento e as produtoras independentes que produzem filmes arminianos.
É inegável que esse filme é do Nolan, a visão dele sobre A Odisseia. Outros diretores já fizeram filmes mais fiéis à obra de Homero, mas não é o caso aqui. Então, praticamente não é um filme sobre A Odisseia, já que a obra original trata-se de um mito que moldou a cultura de um povo.
O problema real é que diretores que antes ignoravam a cultura woke e os "padrões de qualidade" do Academy Awards agora estão se vendendo por uma estatueta de ouro. Provavelmente não restará nenhum, já que todos os grandes lançamentos dos últimos dez anos possuem ESG, inclusive Zack Snyder colocou um beijo gay na Edição Definitiva de Batman vs Superman: A Origem da Justiça. A Odisseia de Nolan é só mais uma engrenagem da agenda deles.
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2026-07-21 00:58:12 UTCEvent JSON
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